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Fiado em tempos de crise: por que o crédito informal cresce quando a economia vai mal

Em períodos de recessão ou crise, o fiado costuma aumentar. Entenda a dinâmica e como se proteger sem fechar as portas para quem precisa.

Equipe Fiados.app20 de novembro de 20257 min de leitura
Fiado em tempos de crise: por que o crédito informal cresce quando a economia vai mal

Fiado em tempos de crise: por que o crédito informal cresce quando a economia vai mal

Quando a economia aperta, o fiado aumenta. Essa relação pode parecer contraditória — afinal, se o dinheiro está curto, por que o comerciante iria oferecer mais crédito? Mas é justamente nos momentos de dificuldade que o crédito informal se mostra mais necessário e mais presente.

A pandemia de COVID-19 deixou isso evidente. Entre 2020 e 2021, com o desemprego batendo recordes e milhões de brasileiros perdendo renda, os pequenos comércios de bairro se tornaram a linha de frente do crédito popular. Enquanto bancos endureciam as condições de empréstimo e operadoras de cartão negavam novos limites, o dono da mercearia da esquina continuava fiando para a vizinhança — muitas vezes sabendo que o risco de não receber era real.

Segundo dados do SEBRAE, durante a pandemia houve um aumento significativo na concessão de crédito informal pelo pequeno comércio, especialmente em regiões periféricas das grandes cidades e em municípios menores do interior.

Por que crises aumentam a demanda por fiado

A mecânica é simples e se repete em toda crise econômica:

  1. Renda cai ou desaparece. Desemprego, corte de horas, falência de empregadores — o dinheiro que entrava todo mês deixa de entrar.
  2. Necessidades básicas continuam. Mesmo sem renda, as pessoas precisam comer, comprar itens de higiene, alimentar os filhos.
  3. Crédito formal some. Bancos e financeiras cortam limites, aumentam taxas de juros, dificultam aprovações. Quem mais precisa é quem menos consegue crédito formal.
  4. Sobra o fiado. O dono da mercearia, da padaria, do açougue vira o único que ainda "empresta" — e faz isso sem juros, sem burocracia e sem consulta ao SPC.

Esse ciclo se repetiu na crise de 2015-2016, na pandemia de 2020-2021 e continua acontecendo em qualquer momento de instabilidade econômica regional ou nacional.

O dilema moral do comerciante

Em tempos de crise, o comerciante de bairro enfrenta um dilema genuíno. De um lado, ele vê seus vizinhos e clientes de anos passando dificuldade. De outro, o próprio caixa dele está apertado — os fornecedores não dão desconto, as contas continuam chegando e vender mais fiado significa arriscar mais.

Esse dilema é real e não tem resposta fácil. Recusar o fiado pode significar perder clientes para sempre — e mais do que isso, perder o vínculo com a comunidade que sustenta o negócio. Mas vender fiado sem controle em tempos de crise pode levar o próprio comércio à falência.

A solução não está nos extremos. Não é "vender tudo fiado para todo mundo" nem "fechar o fiado completamente". É ajustar a estratégia para o momento.

Estratégias para gerenciar o fiado em tempos difíceis

Reduza limites, mas não elimine o crédito

Em vez de cortar o fiado, reduza os limites. Se o cliente tinha limite de R$ 200, reduza para R$ 100 ou R$ 80. Isso permite que ele continue comprando o essencial sem acumular dívidas grandes demais.

Comunique a mudança com honestidade: "A situação está difícil para todo mundo. Precisei ajustar os limites, mas continuo fiando para você. Vamos se ajudar."

Encurte os prazos

Em tempos normais, prazos de 30 dias funcionam bem. Em crise, considere prazos de 15 dias ou até semanais. Prazos mais curtos facilitam o controle e evitam que a dívida acumule a ponto de ficar impagável.

O cliente que paga R$ 50 por semana se sente mais capaz do que aquele que precisa juntar R$ 200 no fim do mês.

Aumente a frequência dos lembretes

Não espere o vencimento para lembrar. Em tempos de crise, a prioridade das pessoas muda rápido — quem tinha dinheiro para pagar na segunda pode ter gasto com uma emergência na terça. Um lembrete gentil um dia antes do vencimento pode fazer a diferença entre receber e não receber.

Separe o essencial do supérfulo

Considere vender fiado apenas produtos de necessidade básica durante períodos de crise. Alimentos, higiene e limpeza entram no fiado. Bebidas alcoólicas, snacks importados e itens de luxo ficam fora. Isso protege o cliente e protege o seu caixa.

Registre tudo com mais rigor

Em tempos de bonança, um caderninho bagunçado até funciona. Em crise, cada real importa. Registre todo fiado com data, valor e prazo. Use um app como o Fiados.app para ter controle em tempo real de quanto está em aberto e quem está atrasado.

O fiado como âncora de sobrevivência mútua

Há um lado da história que os números não captam. Em crises severas como a pandemia, o fiado não foi apenas uma transação comercial — foi um ato de solidariedade que manteve comunidades inteiras de pé.

Comerciantes que fiaram durante a pandemia relatam que, quando a situação melhorou, muitos clientes voltaram e pagaram tudo — alguns com meses de atraso, mas pagaram. A gratidão gerada nesses momentos cria um vínculo que nenhuma promoção ou programa de fidelidade consegue replicar.

Claro, nem todos pagam. E o comerciante que fia demais pode quebrar antes que a crise passe. Por isso o equilíbrio é fundamental: ajude quem você pode ajudar, dentro do que o seu caixa permite, com controle e registro.

Preparando-se para a próxima crise

Crises são cíclicas. A melhor hora de se preparar é quando as coisas estão indo bem. Construa uma reserva financeira para momentos difíceis, mantenha seus registros de fiado organizados e conheça bem o perfil de cada cliente. Quando a próxima crise chegar — e ela vai chegar — você estará mais preparado para decidir quem ajudar, quanto arriscar e como cobrar.

O fiado em tempos de crise é um desafio, mas também é uma oportunidade de fortalecer laços com sua comunidade e garantir que, quando a bonança voltar, seus clientes estejam ali — fiéis e agradecidos.


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