Como criar a política de fiado da sua loja em 5 passos
Se você vende fiado, precisa de regras claras. Parece óbvio, mas a maioria dos pequenos comerciantes brasileiros opera o crédito informal no improviso — decide na hora quem pode vender fiado, quanto e por quanto tempo. O resultado? Confusão, constrangimento e, muitas vezes, prejuízo.
Uma política de fiado bem definida não é burocracia. É proteção. Protege você de perder dinheiro e protege seu cliente de se endividar além do que consegue pagar. Além disso, quando as regras são conhecidas por todos, a cobrança deixa de ser pessoal e vira algo natural — afinal, é a regra da loja, não uma implicância sua.
Segundo dados do SEBRAE, a falta de critérios para concessão de crédito informal está entre as principais causas de problemas financeiros em micro e pequenos comércios. E a boa notícia é que criar uma política simples e funcional não exige consultoria nem advogado. Basta seguir cinco passos.
Passo 1: Defina quem pode comprar fiado
Nem todo mundo que entra na sua loja deve ter direito ao fiado. Isso não é discriminação — é gestão de risco. O critério mais simples e justo é o tempo de relacionamento. Por exemplo: só pode comprar fiado quem é cliente há pelo menos 3 meses e já fez compras à vista regularmente nesse período.
Outra opção é exigir indicação de um cliente que já tem fiado e paga em dia. Esse modelo funciona muito bem em comunidades de bairro, onde a reputação circula rápido.
O importante é que o critério seja objetivo e igual para todos. Evite abrir exceções por pressão emocional — isso mina a credibilidade da sua política.
Passo 2: Estabeleça o valor máximo por pessoa
Todo fiado precisa de um teto. Sem limite, o risco cresce de forma descontrolada e você pode acabar com valores altos demais em aberto.
Uma fórmula simples que funciona para muitos comerciantes é: limite = ticket médio do cliente × 2. Se o cliente costuma gastar R$ 80 por semana na sua loja, o limite de fiado pode ser R$ 160.
Para clientes novos no fiado, comece com um limite menor — por exemplo, R$ 50 ou R$ 100. Conforme o cliente demonstra que paga em dia, você pode aumentar gradualmente.
Registre o limite de cada cliente. Se você usa o Fiados.app, pode configurar isso diretamente no cadastro e o sistema avisa quando o cliente atinge o teto.
Passo 3: Determine o prazo de pagamento
O prazo é o elemento mais importante da sua política. Sem prazo, a dívida vira eterna — e cobrar fica muito mais difícil.
O prazo mais comum no pequeno comércio brasileiro é de 30 dias, mas não precisa ser assim para todos. O ideal é alinhar o vencimento com a data em que o cliente recebe — quem recebe no dia 5, tem vencimento no dia 7; quem recebe no dia 15, vence no dia 17. Dois dias de margem são suficientes.
Se você não sabe quando o cliente recebe, pergunte. É uma conversa simples: "Qual o melhor dia do mês para acertar o fiado?" Essa pergunta demonstra profissionalismo e já cria um compromisso.
Enviar um lembrete por WhatsApp 3 dias antes do vencimento é uma prática que aumenta muito a taxa de pagamento em dia.
Passo 4: Defina as consequências do atraso
O que acontece quando o cliente não paga no prazo? Se você não definir isso antes, vai ter que decidir no calor do momento — e decisões emocionais raramente são boas para o seu caixa.
Uma escala progressiva funciona bem:
- Até 7 dias de atraso: lembrete gentil por WhatsApp. Sem drama.
- De 8 a 15 dias: mensagem mais direta informando que novas compras fiadas estão suspensas até a quitação.
- De 16 a 30 dias: conversa pessoal para negociar um acordo ou parcelamento.
- Acima de 30 dias: suspensão do fiado por tempo indeterminado. O cliente pode continuar comprando à vista, mas o crédito só volta após pagamento integral e um período de observação.
Note que em nenhum momento você precisa ser grosso ou constrangedor. A escala é progressiva e clara. Se o cliente conhece as regras desde o início, ele sabe o que esperar.
Passo 5: Defina os produtos que entram (ou não) no fiado
Nem todo produto precisa entrar no fiado. Muitos comerciantes optam por excluir produtos de alto valor, como bebidas alcoólicas premium, cigarros ou itens de revenda.
A lógica é simples: o fiado existe para ajudar o cliente no dia a dia. Produtos de necessidade básica — alimentos, higiene, limpeza — fazem sentido. Itens de luxo ou vício, nem sempre.
Defina isso com clareza e comunique. Uma plaquinha simples na loja já resolve: "Fiado válido para produtos de mercearia. Bebidas alcoólicas e cigarros somente à vista."
Como comunicar a política
De nada adianta ter regras se ninguém sabe quais são. A comunicação pode ser feita de três formas complementares:
- Plaquinha na loja: algo simples e visual perto do caixa, com as regras resumidas.
- Conversa individual: ao conceder o primeiro fiado, explique as regras olhando nos olhos do cliente. Isso cria compromisso.
- Mensagem de WhatsApp: envie um resumo das regras por escrito. Isso serve como registro e evita o "eu não sabia".
Revise sua política periodicamente
O mercado muda, seus clientes mudam, sua situação financeira muda. Revise sua política de fiado pelo menos a cada 6 meses. Analise: os limites estão adequados? Os prazos estão funcionando? A inadimplência aumentou ou diminuiu?
Com o Fiados.app, você tem relatórios que mostram exatamente quanto do seu faturamento está em fiados abertos, quem está em dia e quem está atrasado. Essas informações são a base para ajustar sua política com dados reais, não com achismo.
Uma política de fiado não precisa ser complicada. Precisa ser clara, justa e conhecida por todos. Cinco passos, um pouco de organização e você transforma o fiado de fonte de dor de cabeça em ferramenta de fidelização e crescimento.
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